quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Poética com faca Tramontina enfiada até o cabo





















Poética com faca Tramontina enfiada até o cabo

Faca de aço
ugueiro
des
afia
corta
cega
mente
ata
falso fio
se
a lâ
mina
é exata
o ritmo
es
capa
se falha
o corte
a aorta
cai morta


Álbum residual















Álbum residual

Minhas mofotografias em preto e pranto
durante tanto tempo
na última prateleira
da estante do esquecimento
finalmente
desfiguradas no álbum de retalhos
de um poço de plástico azul
que tontos chamam de lixeira.

Claro, isto não é um poema.
O poema foi o ato de rasgá-las
em pedacinhos
sem método
sem devoção
mas o verme do tempo
ao ver-me indiferente
rimou alívio e dor
como se cortasse versos
como quem corta a própria carne.

Escrita













escrita

abria o compasso
ao círculo
mais vasto
a mão
quase fora da borda
a linha
na fímbria
do papel
derrubava
réguas
lápis
certeza
com vagar
e ângulo exato
falsificava
regras
mapa
de ponta
cabeça
onde se guardava
a chave
curva do avesso
da fala

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Os sonhos permanecem na pista















Os sonhos permanecem na pista

Ave de leveza
flutua
pólen no vento

Inscrição invisível
da língua volátil
dos vícios do  tempo

Amanhece
a cada instante
fulgor de asas
palavra em fio de voz
renascente flor
reacende no ar pesado
perfume e cor
de voos que não saíram do chão.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Pós-cena













Alô!
Socorro!

Hologramas
& horror.
A liberdade
de malas para o inacessível
no programa de milhas.
Nas mãos
de banqueiros e economistas
foram-se as tuas e as minhas.

Que é isso,
seu puto,
se não jogo bruto?
Novos tempos,
novas quadrilhas.

Ainda me pedem mimos e poemas.
Em cartão, dinheiro, cheque ou no copo?
Melhor jogar os dados na Mega-Sena.

Eu vou pro outro lado
da rua sem nome.

Fui mago,
agora esmago sombras.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Poema do samba único















Não sou poeta pequeno
grande
ou mais ou menos.
Não sou gauche
nem chocho.
Sou poeta de vermelho
pra roxo.

sábado, 19 de agosto de 2017

Três haicais

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O vento marinho
lambe a carne de quem ama.
A areia é cama.

Vento gelado
flagela o corpo sem o abrigo
de porto seguro.

O vento invejoso
leva velho afeto ao léu.
O acaso devolve.


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Flip 2017 - Fruto estranho: Josely Vianna Baptista





De tudo o que vi,
o melhor foi o videopoema de Josely.

Três haicais

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I
Gaiola de gala
nega de modo mais grave
o voo da vida.

II
Asa solta no ar
de pássaro sem roteiro.
Vento invisível.

III
Fui num vento fraco,
voltei num vento violento,
Pássaro de perdas.

Cica dos oitis

Cica dos oitis      Um contrassamba para Hélio Oiticica O sol cica dos oitis seca redundância um gole de parangolé pin...