domingo, 2 de julho de 2017

Arménio Vieira

Vincent Van Gogh, Nature Morte aux Oranges, 1888.


















Poema de  Arménio Vieira, poeta cabo-verdiano. 


Antipoema

Já sei a eternidade: é puro orgasmo.
Como assim, meu caro Drummond,
se o que se segue ao sêmen
são as sobras de uma laranja
cortada em dois, sendo que
uma das metades é apenas casca
lembrando a pele que as múmias
costumam ter, enquanto a parte
que teima em ficar redonda
é só a metade de uma geometria
que já foi doçura e polpa,
agora acre e assassina mais que a faca,
ao lado da qual jaz, definitivamente torpe,
já que as próprias moscas, apavoradas, fogem.

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