Poça

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Fotos de Gavin Hammond



















Poça


Hora de arrumar a pilha de desculpas
Amassar sem culpa dívidas e projetos adiados
Encurtar a distância entre os polos
Sem temer calotas geleiras icebergs
Dissolvendo-se em poças noturnas
Um pouco abaixo da linha dos morcegos.

Quando amanhecem lambendo o sol.
Gosto de olhar as águas impuras desses mínimos oceanos,
Preguiçosas, conformando-se a relevos
Ásperos, imprevistos, estendendo-se amorfas,
Longos losangos, irregulares, místico triângulos, redondas,
Sempre espelhos que guardam no fundo
De cavidades ou abscessos no corpo do asfalto
Tão raso céu sem sombra de divindade.

Todos os atos,
Todos  as ideias,
Todos os acontecimentos
Todos os meus poemas cabem numa poça
E durarão até o próximo dia ensolarado.


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