Promenade
















Promenade

Corpo envolto em névoa
e fúria
movo placas tectônicas
tatuadas na pele
camadas de fotos aéreas
em infravermelho
folhas de silício e amnésia
- nada pulsa no radar.

Miro muros em ruínas
gravadas no náilon da pele
cargas de C4
acupuntura em pontos extremos.

Instalo
sensores de distância
e movimento
capazes de captar
o menor sinal de vida
em caso de ameaça de acordo
aciono o controle remoto.

Material refratário
à lua de camurça
sobre o campo de gencianas azuis
meu chapéu de nenúfar
camuflagem no câncer da paisagem de guerra
me conduz a ruas de resina
âmbar
entre eletroarmadilhas semáforos metáforas
ácidas
elipses selvagens
poemas comuns incomuns demenciais
em coma
e o holograma do que um dia chamamos
linguagem
sempre falha.

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