Na perigosa curva em S

Resultado de imagem para surreal love



Na perigosa curva em S

perco o controle. A alma sem freio
desce. Em meio ao desgaste de pedras
agudas, ásperas, algo aparece:
o corpo, pedra bem lavrada em mágoa,
rola sessenta graus ladeira abaixo.

Não avistei o cavalo cego, solto
na pista, fora do pasto, de vista,
sem noção de perigo ou salvação.
Errei a marcha, queria abraçá-lo,
mas o arremessei fora do caminho.
Drummond avisou-me em verso grisalho:
curva perigosa após os cinquenta.

No ponto extremo da queda, o cavalo
e o falso jóquei, vivos, nos escombros,
dois anjos fundidos em um só corpo.

Amor, esse eterno quarto em desordem,
pétala aberta a belo nome em esse
ao qual o meu se une no mesmo sopro.

Comentários

Postagens mais visitadas