quinta-feira, 20 de abril de 2017

Desertossauro rex












Desertossauro rex

versão plástico azul

O tédio dos herbívoros
os alimenta,
fora a noite e nuvens de insetos
ao alcance de línguas bífidas.

A couraça proporciona
ao corpo
distância e antivírus
repleto de lacunas.
Sempre a salvo de proteção
insensata
por fissuras
retinianas,
atentas antenas capazes de captar
pecados em promoção,
e.g.:
aquelas coxas cor de canela
expostas
num banco de ônibus
para ataques do miocárdio.

versão plástico verde

Olhos tão diminutos
espantam paleontólogos.
“Talvez não quisessem
enxergar”,
afirmou Jack Zimmerman,
“o circo afundando
sob o impacto do meteoro
interrompendo o número
dos mamutes amestrados”.

Anita McKinley
advoga outra hipótese:
“Tudo o que não queriam ver
era a interminável fila
do lado de fora do restaurante
onde não havia cadeiras vazias
e se comia com muita preguiça
gordas porções de indiferença”.

versão plástico ambarino

Não há mínima imponência
na criatura jurássica
sentada no meio fio.
A madrugada morta
levanta uma lua de âmbar,
flor de resina
brilha atrás do vidro da vitrina
bem abaixo do cartaz amarelo
LIQUIDAÇÃO.

Latinhas de cerveja
fazem água do sonho predador.

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