Noite sem lei













Noite sem lei

Saio de casa
com asas de papel de seda,
leve perfume patchuli
nos lábios ainda aceso,
célere e ousado
a caminho da lua
linda e alada
toda ornada de pérolas e palavras
do outro lado da calçada.
Tudo parece conjunção
de corpos celestes
em noite nupcial,
no entanto chega uma hora
em que o caldo entorna;
exponho meu lado mais sombrio,
minha coleção de infâmias,
meus golpes mais baixos.

A noite não cumpre promessas;
saí de casa azul de anjo,
volto sujo de monstro.

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