quinta-feira, 2 de março de 2017

Ao menino de Charleville

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Ao menino de Charleville

Domingo de dormência nos dedos.
Abro o livro de outra graça e fulgor
para entoar preces às seis da tarde
não em capela,
mas em pleno bas fond.
As letras regurgitam passagens
de impasses e perfídia
espalhadas na argila por um órgão
de sacras linhas majestosas,
acordes e versículos de
bile negra
saltam de salmos apócrifos
para contrição cancerosa.

Um pobre diabo saiu de Charleville
como beat
(falam os arqueólogos
de um corpo agora pedras
abissínias
em língua copta).
Certo mesmo
restou registro fotográfico:
o pequeno descabelado carimbando
com mãos de menina
íris e pupilas
de devastadora iluminação luciferina.


Esse menino-demônio de outra id(entid)ade,
rosto de arremessador de dinamite,
roubou-me o fio desencapado da escrita,
levou palavras e sintaxe em sacos de contrabando,
clandestinizou com hybris adolescente
fugas,
roteiros,
viagens.

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