Armada

Almeida armada of 1505 (Livro de Lisu arte de Abreu)
















Armada

     “No mar tanta tormenta e tanto dano,
     Tantas vezes a morte apercebida!
     Na terra tanta guerra, tanto engano,
     Tanta necessidade avorrecida!
     Onde pode acolher-se um fraco humano,
     Onde terá segura a curta vida,
     Que não se arme e se indigne o Céu sereno
     Contra um bicho da terra tão pequeno?”

            - Camões


Vou em navios
na névoa
cinérea.

A lua
afunda
em ondas hialinas
chegadas
e quimeras.

Nau capitânia
em encapelado mar
azul-violeta,
vela mestra
fora do ar
saturnino,
apenas tempestade
& barris de rum
no convés.

Cento e um navios
a mil milhas
da ilha fantasma mais próxima.

Nautas com asas
no mar de águas pesadas
levados por ventos alísios
contra a muralha do destino
e suas líquidas emboscadas.

Chegar pouco importa.
Vale ver os navios
ainda vivos no fundo
do desvio para o fracasso
em velhas viagens.

A rota de infortúnios
armou uma frota de naufrágios
no leito azul de Netuno.


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