Soneto do enforcado



 



Este poema foi publicado no livro Anarquipélago (Ibis Libris, 2013).

Soneto do enforcado

(ataque)

Coloquemos a corda no pescoço,
quebremos logo a empáfia e os ossos
desse vil vagabundo inveterado;
num único poema mil pecados,
temas sujos, rimas desarrumadas
em decassílabos rasos, covardes,
n acordes do caos na cidade.

(defesa)

Preguem-me por tantos desregramentos
entre grafia, garrafa e gafieira,
cresci fora da área de controle,
dei rasteira em Herodes, mijei em Nero,
atirei em Hitler, bebi alambiques,
comi quem quis. Posso bater no peito
e gritar bem alto: morro feliz.


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