sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Poesia Sebastiana



Glauco Rodrigues
























Poesia Sebastiana

Homenagem ao santo preferido da minha mãe por dois grandes poetas e um pequeno.

São Sebastião

     Rainer Maria Rilke

Como alguém que jazesse, está de pé,
sustentado por sua grande fé.
Como mãe que amamenta, a tudo alheia,
grinalda que a si mesma se cerceia.

E as setas chegam: de espaço em espaço,
como se de seu corpo desferidas,
tremendo em suas pontas soltas de aço.
Mas ele ri, incólume, às feridas.

Num só passo a tristeza sobrevém
e em seus olhos desnudos se detém,
até que a neguem, como bagatela,
e como se poupassem com desdém
os destrutores de uma coisa bela.

Tradução: Augusto de Campos


São Sebastião

     Orides Fontela

As setas
– cruas – no corpo

as setas
no fresco sangue

as setas
na nudez jovem

as setas
– firmes – confirmando
a carne.

São Sebastião

     José Antônio Cavalcanti

Se eu acertasse tantos versos
quanto flechas fora do alvo,
as portas do Paraíso
estariam abertas à minha passagem.


Tendo todos os poemas
passado a metros do mínimo
aceitável,
capricho na mira
para ver se retiro
com máxima perícia
todas as letras
de teu nome
em carne viva.


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