Não deixamos pistas







Não deixamos pistas

Da garupa de moto
aos pedaços
avisto
do outro lado da avenida
pura poesia
à espera de sinal verde.

A vida acelerada
e o escapamento suicida
lançam a pequena maravilha
em ponto cego.

É contra os nossos princípios
qualquer apreciação
estética,
degustamos vinhos
e motores envenenados.
Fugimos com rapidez
a compromissos
como reses
resistentes a laços e ferro em brasa,
não temos documentação
canônica,
não sabemos o que as placas
dizem
nem os livros,
pois sempre faltam letras,
páginas,
capítulos,
na verdade sequer sabemos pilotar
o espanto das palavras.

E adoramos curvas,
corporal e filosoficamente,
é claro,
tanto que,
por causa do poder
de perfeita curva poética feminina,
rasgamos as páginas das normas de trânsito
e saltamos para o desconhecido.




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