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"Mas esta natureza, a do instante, uma estranha natureza, situa-se entre o movimento e o repouso, estando em tempo nenhum, e é para ela e a partir dela que muda o que está em movimento em direção ao estar em repouso, e o que está em repouso em direção ao estar em movimento.”
(Platão. Parmênides. Tradução, apresentação e notas de Maura Iglésias e Fernando Rodrigues. Rio de Janeiro: PUC; São Paulo: Loyola, 2003, p.105)

Fratura desde a origem, o ser. Seu devir à deriva, um processo de perda e dissipação. O tempo acumula-se como poeira. Contramão da prospecção, o vício de enfileirar acontecimentos numa espécie de fita. Cinema puro essa montagem de sentido e direção. A sucessividade é uma categoria do pensamento, assunção da lógica sobrepondo-se ao caos do existir. A cronologia nos regula, limita, expõe nossas fragilidades, mas não nos constitui como sujeitos. Vigemos à revelia de temporalidade. O que somos é o retrato de nossa própria inacessibilidade, pois somos gerados na zona escura do tempo, entre o não ser e o ser. Por isso a poiésis nos diz tanto, a tal ponto que parece que reencontramos o vigor do originário quando mergulhamos no terreno sempre indomado da arte.


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