sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Passagem


























Passagem

Em  nenhum momento
doze meses urgência adentro
o tempo
usa spray
para marcar passagem

Entre o que veio e o que deixou de vir
cidades de ouro
encerram-se aéreas
em caminhos incinerados
por falsas estrelas
tudo se fecha
estreita-se o verbo
em fenda
feracíssima fenda
não mais
pássaro
no céu em curto
já não pode alongar
o canto
decanta
refulgência
em estado de graça
o azul e o âmbar
de asas alheias

mês a mês
poemas na mesa
até a passagem
da palavra
a pássaro

e pássaro
é tudo
que se dissolve
no espaço

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