segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Pasolini



Ao príncipe

Se torna o sol, se o crepúsculo baixa,
se a noite tem gosto de noites futuras,
se uma tarde de chuva parece voltar
de tempos muito amados e jamais possuídos de todo,
eu não sou mais feliz, nem disso extraio prazer ou pena:
não sinto mais, diante de mim, toda a vida...
Para ser poeta é preciso ter tempo de sobra:
horas e horas de solidão são o único meio
de se formar algo, que é força, abandono,
vício, liberdade, de dar estilo ao caos.
Tempo hoje tenho pouco: por culpa da morte
que vem e avança, no ocaso da juventude.
Mas também por culpa de nosso mundo humano
que aos pobre tira o pão, aos poetas, a paz.


Al principe

Se torna il sole, se discende la sera,
se la notte ha un sapore di notti future,
se un pomeriggio di pioggia sembra tornare
da tempi troppo amati e mal avuti del tutto,
io non sono più felice, né di goderne né di soffrirne:
non sento più, davanti a me, tutta la vita...
Per essere poeti, bisogna avere molto tempo:
ore e ore di solitudine sono il solo modo
perché si formi qualcosa, che è forza, abbandono,
vizio, libertà, per dare stile al caos.
Io tempo ormai ne ho poco: per colpa della morte
che viene avanti, al tramonto della gioventù.
Ma per colpa anche di questo nostro mondo umano,
che ai poveri toglie il pane, ai poeti la pace.



Do belíssimo livro Poemas, traduzido por Maurício Santana Dias e organizado pelo peso pesado Alfonso Berardinelli, autor da introdução, pp. 130~131. Uma das últimas publicações da Cosac Naify.



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