terça-feira, 1 de novembro de 2016

O Marechal de Costas, de José Luiz Passos



Um marechal de costas é alguém cujo mutismo esconde o rosto, é possível, no entanto, segui-lo nos rastros deixados no solo da pátria mãe sem nada de gentileza. Por isso vale a pena tentar vê-lo quando move a cabeça à esquerda ou à direita, vislumbrar no rosto que quase desponta o caminho de quem foi considerado “o consolidador da república”, ou o “Marechal de Ferro”, ou “uma esfinge”, segundo Euclides da Cunha. Vale a fina ironia de contrapô-lo ao esboroamento da república defendida por sua espada; Agora - quem sabe - se pudesse vê-la, talvez dissesse: “república de barro”. Vale o olhar de cozinheira temperando estátuas, manequins e black blocs em nebulosas manifestações, enquanto um golpe cozinha discursos da ex-presidente Dilma. Mas é melhor eu descer da estátua em plena Cinelândia, em que tantas vezes subi para ver o que acontecia mais à frente, agora que já não sei o que vejo. Melhor simplificar tudo: “O Marechal de Costas”, de José Luiz Passos, é um livraço. Boa noite.  

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