Infância, terreno baldio
























Onde estarão os outros
meninos
que me ouviam
no pátio
contar histórias
sem pé nem cabeça?
Todos sabiam
o tamanho da mentira
mas queriam ouvir mais
pra ver como
tudo aquilo acabaria.

O abandono fugia
de nossas vidas
pregadas como peças
descartáveis
no varal dos sem futuro.

Filipe e os olhos
de “não acredito”.
Bolinha e a risada fácil.
Torrada buscando
modos de novos furtos.
Gesteira à procura
do pai em todas as palavras.
E do poço sem fundo da língua
outro mundo
Iluminava o mundo impossível
de tantos meninos.

Colégio interno,
prova viva
de que o desamparo é coletivo.

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