Manuel Maria Barbosa du Bocage














Escreveu Bocage, próximo ao fim do século XVIII, alguns poemas críticos ao despotismo em Portugal. Isso contribuiu para que o convidassem a gozar dos privilégio de uma prisão por crime de lesa-majestade, afinal todos os tiranos impõem elogios ou silêncio. Encontrei o poeta português hoje no Largo de Pilares, atônito, mais de duzentos anos depois, sem saber o que escrever. Ao pegar o ônibus para Duque de Caxias, deixou cair este poema.

Liberdade, onde estás? Quem te demora?
Quem faz que o teu influxo em nós não caia?
Porque (triste de mim!) porque não raia
Já na esfera de Lísia a tua aurora?

Da santa redenção é vinda a hora
A esta parte do mundo que desmaia.
Oh! Venha... Oh! Venha, e trémulo descaia
Despotismo feroz, que nos devora!

Eia! Acode ao mortal, que, frio e mudo,
Oculta o pátrio amor, torce a vontade,
E em fingir, por temor, empenha estudo.

Movam nossos grilhões tua piedade;
Nosso númen tu és, e glória, e tudo,
Mãe do gênio e prazer, oh Liberdade!

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