O que os bárbaros ensinam

















Silenciar a educação,
condená-la à rasura e a rascunho,
algemá-la à pura anacronia,
trocá-la por tablets,
falácia e marketing,
pendurá-la na forca
de contas vermelhas,
obrigá-la aos cardiologistas,
ao crédito consignado
e à aposentadoria irrisória.

É imperioso e urgente
rasgar toda resistência;
negra, vermelha
ou arco de todas as cores.

Qualquer rabisco de liberdade
deve ser apagado com boletim de ocorrência
e gás lacrimogêneo,
permitidas, no entanto,
a pedagogia da indiferença
e o monopólio dos mercenários da fé.

Silenciar a educação
com inspeções milicianas,
neutralizá-la com moedas, mordaças,
jornalistas de aluguel
e o fel
estampado em artigos e editoriais
como estampidos a perfurar
os próximos cem anos.

Silenciar a educação,
ocupar a cidade,
cercar as escolas.
Todo conhecimento é suspeito.
Todo professor é o inimigo público número um.

Numa cidade alimentada por ideias
não há rima entre cela e escola.

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