Do Ipiranga as nádegas flácidas



Mais um poema de Sopa & veneno, de 1976. Guardo até hoje o calor do aperto de mão de um desconhecido que, ao passar pelo Campo de São Bento, em Niterói, onde armei um varal do qual este fazia parte, parou e me disse: – Cara, você ou é muito corajoso ou muito louco. Esse foi o meu Nobel.

Do Ipiranga as nádegas flácidas

deixem-me ser o arrimo da minha miséria
a cabeça afundar no pescoço
a pele arroxear-se em doença
deixem-me viver livre
fugir à submissão dos inocentes
e se eu me juntar aos transviados
às reses rebeldes do teu rebanho?
e se eu chicotear os teus ouvidos
com as palavras do meu inconformismo?

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