Jacques Roubaud

Foto de Alix Cléo Roubaud



















Poema de Jacques Roubaud traduzido por Inês Oseki-Dépré.

Em mim reinava a desolação

Onde tua existência era tão forte. tornara-se forma de ser.
Em mim reinava a desolação. como falando em voz baixa.
Mas as palavras não tinham a força de atravessar.
De atravessar apenas. pois não havia o quê.
Volta-se para o mundo. volta-se para si.
Não se queria habitar de modo algum.
É o núcleo habitual do infortúnio.
“Você” era nossa maneira de tratamento. fôra.
Morta eu não podia mais dizer senão : “tu”.

In Algo: preto. São Paulo: Perspectiva, 2005.


En moi régnait la désolation

Où ton inexistence était si forte. elle était devenue forme d'être.
En moi régnait la désolation. comme conversant à voix basse.
Mais les paroles n’avaient pas la force de franchir.
De franchir seulement. car il n'y avait pas quoi.
On se tourne vers le monde. on se tourne vers soi.
On voudrait n'habiter aucunement.
C'est le noyau habituel de l'infortune.
"Vous" était notre mode d'adresse. l’avait été.
Morte je ne pouvais plus dire que : "tu".

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