Hotel Suspenso















Por uma fresta
entre a janela e a cortina
entra um suspeito de asas
à procura de pouso e almoço.

Hierático,
suspenso em silêncio na neblina
da lateral esquerda do quarto barato em Ouro Preto,
olho com ódio o hóspede inoportuno.

Permaneço imóvel
enquanto os olhos rezam promessas,
apesar do intruso miserável.

Não posso perder
o ouro fino da memória de teu corpo
na ladeira sinuosa
que sobe pedras e serpentes
de lençóis puídos
até o ponto mais alto da ausência.

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