sexta-feira, 15 de julho de 2016

Carlos Drummond de Andrade

Piranesi
















Atentado em Nice, tiroteio na Linha Amarela, assassinato no Fundão, estupro na Rural, governo zumbi de Michel Temer. Os medos saíram às ruas para assustar as pessoas. No livro Sentimento do mundo, de 1940, Carlos Drummond de Andrade já nos alertava.

Congresso internacional do medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mãos, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.


Cica dos oitis

Cica dos oitis      Um contrassamba para Hélio Oiticica O sol cica dos oitis seca redundância um gole de parangolé pin...