Presente


















Adormeci
em letras envenenadas
por poema palavroso
hino de Whitman com acelga
recheado com farofa de nomes
de poetas poloneses persas
e paquistaneses
sujo de Bukovski mal passado
quase prosa para micro-ondas
alguns nomes em húngaro
para deslumbramento em feiras
nunca livres de patrocínio
versos mamãe com açúcar
anotações de agenda mingau azedo
junto a resumos web alface
e orelhas de porco lidas às pressas
rebeldia buscada em redes
domésticas

Soubesse o condomínio
do uirapuru citadino
cantor de suicídios alheios
enviaria por sedex
ao vate-açougeiro uma faca
pleonástica
de cabo de madrepérola
bem gasta
envolta em sudário falsificado
na feira de Caxias.

Tá bem velhinha,
mas já cortou
muitas gargantas.

Postagens mais visitadas