Guarda-me, amor

O Sono da Razão Produz Monstros (1799) - Goya
























“Leva-me, amor,
e me mantém trancado.” - Adonis

Não é a chuva,
nem o frio,
nem o vento.

É um cinza matricial
flexionado por línguas polidas
em verbos sem plurais.
São nuvens suspensas
em rígida observância ao nada
em nome do qual
códigos de gesso condenam planetas
fora da simetria das órbitas
e colocam sob suspeita
ato ou astro que insista em surpresa.
É o gesto glacial e civilizado
com o qual se afasta com cortesia
aquele que deveria ser abraçado,
com que se elimina com enfado
tudo aquilo que excede à estreiteza
de bolhas de segurança e verdade.
São os rios que decidem as margens
do bárbaro, do ímpio, do herege, do selvagem.
É algo que está além
das explosões do horror,
do horror branco,
do horror do estado,
do horror além do horror.


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