Interlúdio
















Ela segurava
em pose sibilina e solene
(como uma gravura
capta
em placa de madeira, metal ou pedra
o gesto que escapa)
a xícara de chá
- serigrafia viperina
do pulso em paralisia
tocado pela graça da anima feminina.

A fumaça exalava
o meu corpo convertido em fantasma
por ruína, pânico ou arrefecimento.

Ao vê-la
eu era o vilão,
olhar caviloso
cruel
canalha
corpo de cão
cravando a carne
em grades.

Eis que algo escapa
a mínimo domínio:
misterioso mimo,
o dedo mindinho
se liberta da asa;
flutua no ar
a mulher agora ave
levitando
em céu inacessível.


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