A voz indelével
















A voz indelével

Preciso de fôlego para atravessar
o rio que não deságua em mar
algum por não ser caminho líquido,
apenas doce precipício a me levar
cada vez mais para longe de mim.

Preciso me afogar e não consigo
esgotar a folga, o excesso de páginas
manchadas de fúcsia e amnésia.
,
Preciso me afundar e ainda flutuo
em fendas de palavras infactíveis
e inavegáveis que me levam inerme
a ponto cego do horizonte instável.

Preciso de fôlego, mas caio ofegante
como alguém morto cai em outro corpo
em meio à tempestade e ao desamparo
para reacender a res/piração de Lázaro.



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